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A Dramaturgia e a Escrita Criativa
A Dramaturgia e a Escrita Criativa

A DRAMATURGIA LOCAL E A ESCRITA CRIATIVA

 

O Programa de Pós-Graduação em Escrita Criativa, que a PUCRS criou há poucos anos pela iniciativa do professor e escritor Luiz Antonio de Assis Brasil e se constitui no único exemplo existente atualmente no País, terminou o ano de 2015 e iniciou o de 2016 com enorme atividade.  O curso de Escrita Criativa, que neste ano também terá o nível de graduação, com a característica de curso de tecnólogo, pretende qualificar pessoas que se sintam vocacionadas para a criação literária, aí compreendida a poesia, a prosa, o roteiro cinematográfico, a dramaturgia etc.

No curso o aluno, além de frequentar as disciplinas definidas pelo currículo, deve apresentar a criação de uma obra criativa e uma espécie de reflexão teórica a respeito desta mesma criação.  A ideia é possibilitar, além do exercício de criação, principal objetivo do curso, uma reflexão aprofundada a respeito dos processos de criação, de maneira a ampliar as aptidões desses criadores, boa parte deles, já autores de obras variadas.

No campo de dramaturgia, no ano passado, a diretora e atriz Patrícia Cecato (Patsy Cecato) propôs um livro de textos curtos para teatro, capazes de propiciar, ao ator novato, exercícios para o desenvolvimento de suas qualidades interpretativas.  A obra, intitulada NÃO SE MATA PINTASSILGOS E OUTROS TEXTOS CURTOS PARA TEATRO, deverá ser brevemente editada.  No trabalho, além de recuperar a memória dos espetáculos de vanguarda criados em Porto Alegre ao longo dos anos 1980, a partir da passagem do grupo carioca Asdrúbal trouxe o trombone, Patrícia apresenta uma reflexão teórica sobre o texto curto de teatro e sua utilidade como base de exercícios para a formação de atores.

 

 

Logo depois, foi a vez de Flávio Vaz Brasil defender um roteiro de ópera, intitulado A TERCEIRA REVOLUÇÃO FARROUPILHA, aproximando uma hipotética revolução que ocorre no território sulino, num futuro próximo, pela disputa dos reservatórios do Aquífero Guarani, à chamada Grande Revolução do século XIX.  Histórica e contemporânea, foi um verdadeiro achado do compositor.

Nesta semana que se encerra, foi a vez de Patrícia Silveira mostrar seu trabalho.  Se os dois primeiros estavam colocados em nível de doutorado, levando-se em conta que a dramaturga, atriz e diretora já traz uma formação acadêmica desde a Furg, de Rio Grande, passando pela Udesc, de Florianópolis.  Patrícia Silveira apresentou uma TRILOGIA SOBRE A VIDA E A MORTE E MAIS DOIS CANTOS, proposta que pretende a quebra de padrões dramáticos mais conhecidos do grande público.  Patrícia tem tido uma participação dinâmica, constante e perseverante na cena porto-alegrense pelo menos nos últimos quatro anos.  Tive a oportunidade de assistir a muitos dos espetáculos cujos textos são escritos por ela e, na maioria das vezes, também dirigidos e produzidos por ela mesma, como SONHOS (IM)POSSÍVEIS, que comentei aqui mesmo neste espaço; AS LÁGRIMAS DE HERÁCLITO, que cheguei a assistir em uma performance privada, desenvolvida em sua própria casa, para que eu pudesse conhecer a obra, já que não consegui assisti-la quando de suas apresentações na cidade; e CONGRESSO INTERNACIONAL DO TERRORISMO LATINO-AMERICANO E DO MUNDO, apresentada na Usina do Gasômetro.

Patrícia Cecato preocupa-se, sobretudo, com  a questão dos gêneros; Patrícia Silveira volta-se para a questão da violência, interna e externa, que rodeia nosso cotidiano.  Ambas exibem maturidade e, ao mesmo tempo, curiosidade e potencialidade de crescimento.

Quanto a Flávio Vaz Brasil, sua contribuição é fundamental, pois inova um gênero pouco valorizado pelo grande público contemporâneo e que, no entanto, apresenta enorme potencial criativo.  É neste sentido que a universidade pode contribuir com eles.  Mas, ao mesmo tempo, certamente eles podem contribuir com a universidade, na medida em que aproximam a instituição do cotidiano da cidade.  Positivo, enfim, que três artistas cujas qualificações ninguém põe em dúvida, tenham humildade e se disponham a buscar, na universidade, maior profundidade e maior equilíbrio em seus movimentos de criação.  Eis um processo profundamente rico e enriquecedor, para todos nós: artistas, professores e, certamente, público.

 

Fonte:  Jornal do Comércio/Crítica/Antonio Hohlfeldt (a_hohlfeldt@yahoo.com.br) em 4, 5 e 6 de março de 2016.