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Britânico Ken Loach leva a Palma de Ouro
Britânico Ken Loach leva a Palma de Ouro

BRITÂNICO KEN LOACH LEVA A PALMA DE OURO

 

DRAMA SOBRE TRABALHADOR ÀS VOLTAS COM A BUROCRACIA SUPEROU CONCORRENTES COMO O FILME BRASILEIRO “Aquarius”.

 

O filme I, DANIEL BLAKE, de Ken Loach levou a Palma de Ouro, prêmio principal do Festival de Cannes, maior mostra de cinema do mundo.  A cerimônia ocorreu neste domingo, na cidade da costa sul da França.  Em seu discurso, Loach lembrou os personagens do filme, criticou o neoliberalismo “que leva milhões à miséria” e disse que “um outro mundo é necessário”.

 

O filme brasileiro AQUARIUS, de Kleber Mendonça Filho, que estreou sob aclamação da crítica internacional e um ruidoso ato anti-impeachment, saiu sem nenhum prêmio do júri.

 

I, DANIEL BLAKE, um retrato-crítico sobre o sistema de bem-estar social inglês, conta a história de um carpinteiro de meia-idade que encara agruras para conseguir o benefício por invalidez após uma parada cardíaca o impedir de trabalhar.  Enquanto Blake vaga pelos meandros kafkianos da burocracia inglesa, ele depara com uma mãe solteira (Haley Squires), “expulsa” de Londres pelo processo de gentrificação – são dois marginais do capitalismo britânico, bem ao estilo de Loach.  Esta é a segunda vez que ele vence a Palma de Ouro: ganhou o prêmio em 2006, com VENTOS DA LIBERDADE.

 

A filipina Jaclyn Jose (de Ma’Rosa, de Brillante Mendoza) levou o prêmio de melhor atriz, tirando a estatueta de Sonia Braga (Aquarius) e Isabelle Huppert (Elle), as mais cotadas na categoria.  No filme, Jaclyn vive a matriarca de uma família que tem de lidar com  a polícia corrupta de Manila para sair da cadeia.

 

O prêmio de direção foi dividido entre o romeno Christian Mungiu (Bacalaureat) e o francês Olivier Assayas (Personal Shopper).  A segunda escolha foi bastante polêmica: o filme de fantasma de Assayas foi o segundo mais vaiado em sua sessão de imprensa.  Já obra de Mungiu discute os dilemas morais de um pai cuja filha é vítima de um misterioso ataque.

 

Outra escolha polêmica foi o Grande Prêmio do Júri para JUSTE LA FIN DU MONDE, vencido pelo canadense Xavier Dolan.  O filme, sobre o retorno de um homem à casa da família para anunciar que está morrendo, foi malhado pela crítica e tido como o pior na carreira do diretor de 27 anos.

 

AMERICAM HONEY, road movie independente da inglesa Andrea Arnold levou o Prêmio do Júri.  O longa, que tem Shia Labeouf no elenco, trata de uma garota (Sasha Lane) que cai na estrada pelo interior pobre dos Estados Unidos com um grupo de jovens que vendem assinaturas de revista.

 

O prêmio de melhor ator foi para Shahab Hosseini, que interpreta um marido que deseja vingar o ataque sofrido por sua mulher no iraniano FORUSHANDE de Asghar Farhadi.  Ele já havia levado o prêmio de melhor ator por A SEPARAÇÃO (2011) no Festival de Berlim.  FORUSHANDE també levou o prêmio de melhor roteiro.  O prêmio Câmera de Ouro, dedicado a ilmes de diretores estreantes, foi para o francês DIVINES, de Uda Benyamina, exibido fora da competição, na mostra Quinzena dos Realizadores.  O filme aborda a entrada no mundo do crime de uma garota francesa.

 

 

BRASIL TEVE CURTA-METRAGEM E DOCUMENTÁRIO PREMIADOS

 

A Palma de Ouro honorária foi para o ator francês Jean-Pierre Léaud, figura central da Nouvelle Vague e protagonista de filmes de François Truffaut.  O ator de 72 anos, ovacionado e aplaudido de pé, começou no cinema ainda adolescente como o menino Antoine Doinel em OS INCOMPREENDIDOS (1959).

 

O Brasil concorria à Palma de Ouro também na categoria de curta-etragem, com A MOÇA QUE DANÇOU COM O DIABO, de João Paulo Miranda, que ganhou uma menção honrosa.  O filme, sobre uma mulher que vive entre parentes religiosas foi financiado por uma rifa.  O vencedor na categoria foi TIMECODE, do catalão Juanjo Gimenez.

 

Outro brasileiro premiado da edição foi Eryk Rocha, que levou o Olho de Ouro, prêmio dedicado aos documentários da programação oficial, por seu CINEMA NOVO, obra que remonta a trajetória do movimento cinematográfico nacional.

 

Fonte:  ZeroHora/Segundo Caderno/Guilherme Genestreti (Folhapress-Cannes) em 23 de maio de 2016.