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Cadê a Qualificação para os Professores?
Cadê a Qualificação para os Professores?

Estou com dor de ouvido, vou procurar um cardiologista!

Estranho? Não vejo nada estranho nisso. Afinal, os dois cursaram Medicina, não é verdade? E nesse momento, você leitor, irá dizer que não é bem assim, que cada um deles fez especialização numa área da Medicina que... Como assim? Mas eles não são médicos? Sim, são. Então, que o cardiologista cuide da dor de ouvido e muito bem! Não quero erros e nada de lamúrias! Isso é preconceito!

Você, leitor, deve estar estranhando esse pequeno início de texto e deve estar pensando que a criatura, aqui no caso eu, deva estar enlouquecendo, mas esse é um pequeno exemplo do que está acontecendo em nossas salas de aulas pelo país afora. Principalmente nas séries iniciais do ensino fundamental.

Triste de se ver, mas essa realidade está, cada vez mais, levando à desistência de professores da carreira do Magistério. Eles não são otorrinolaringologistas, são cardiologistas, como tratar e receitar remédio para dor de ouvido? Mas os pais querem curar os seus filhos e a mídia está em cima. Como assim o cardiologista tratou mal o seu filho? Como assim ele ficou sem paciência durante a consulta? Isso é preconceito!

Bem, vamos às explicações. Como foi falado acima, as salas de aulas estão, a cada dia que passa, recebendo alunos com alguma necessidade especial, mas estão se esquecendo de que para tratar de certas necessidades especiais, além de ter o espaço físico adequado, é necessário ter um profissional que saiba lidar com cada necessidade diferenciada de cada aluno.

Entretanto, há professores que apenas cursaram o Magistério, ensino médio, outros, uma licenciatura específica e nenhum dos dois aprenderam a lidar com um aluno deficiente visual, por exemplo. Não é má vontade, eles apenas não sabem como lidar! É como no exemplo inicial desse texto, um profissional, mesmo tendo cursado uma faculdade que deu uma noção geral da área, não é o mesmo profissional qualificado que fez uma especialização. Não é preconceito, é despreparo.

Eis aí o problema. Querem que professores formados em Matemática saibam lidar com um aluno disléxico, por exemplo. Ele não sabe. Querem que o professor, que tem as mesmas limitações emocionais que qualquer profissional, dê uma solução para o aluno que tem sérios problemas de ficar simplesmente sentado em seu lugar.

 

Nesse momento surgem estudiosos com falas prontas e soltam nas mídias verdades absurdas de que o professor é um profissional gabaritado para lidar com as mazelas da sociedade! Que ele é intransigente e preconceituoso quando faz cara de “SOCORRO”, quando um aluno cadeirante e com sérios problemas neurológicos entra em sua sala de aula. Ah... Aí o professor é alvo de desprezo. Como pode ele, um professor, torcer o nariz para um aluno que não ouve? Como pode ele, um professor, ficar de “cara amarrada” para o aluno que não enxerga? Mas e o professor? Como ele irá ensinar a um aluno ao qual ele nem sabe como ser amigo? Ele aprende na prática! Isso significa que jogarão o aluno na sala de aula, os pais nem irão se preocupar se aquela situação não irá constranger mais ainda os colegas ou o professor, e será dada a largada para o caos. De um lado é o professor tentando se adaptar, de outro o aluno tentando não ser alvo de risadinhas e assim caminha a humanidade. 

Dessa forma, alguns professores, ao se considerar um péssimo profissional, pois não está sabendo dar conta dessa realidade ao qual ele não foi preparado tem que ser um professor nota dez. E tem mais! E a questão do querer, do gostar, onde fica? Muito séria essa questão. Afinal, quando o profissional da educação que não tem especialização para lidar com tal situação escolar, foi questionado se ele quer lecionar para um aluno cego, mudo ou qualquer outra dificuldade que surja na área escolar? E nada de dizerem que é preconceito! É uma realidade ao qual poucos se perguntam. Como se fosse normal o dono do armazém da esquina ir operar um paciente com apendicite. Ele não tem preparo! Como se mandasse um advogado renomado ir para a feira vender peixe! Mas como ele não sabe vender peixe? Para que serviu anos dentro de uma faculdade cara? Profissionalzinho “mequetrefe” esse! Mas ele não sabe e tem mais, ele não quer! Ele quer ser advogado! Agora, como obrigar um jogador de futebol a ser dentista? Pegá-lo no estádio e largar uma pessoa com dor de dente e manda-lo tratar do dente da criatura! E se ele se recusar? Como fica? Seria preconceito? Não?! Então por que com os professores tudo é preconceito?

Sei que os exemplos podem parecer dramáticos, mas quero chamar a atenção para a dramaticidade da situação das escolas! De um lado estão os pais, tristes e raivosos com escolas e professores, levando para o lado pessoal uma recusa ou uma demonstração séria de dificuldade em lidar com o seu filho, mas de outro, temos profissionais que não foram preparados para lidar com certas situações! E também há profissionais que não querem! Ponto! Se deve haver respeito aos alunos que apresentam uma deficiência, penso que deve haver respeito ao profissional que não sabe e não quer lecionar para alguns alunos, pois eles não estão preparados! Não aprenderam na faculdade! Não há a disciplina em como lidar com alunos cadeirantes! E por fim, os professores, se achando incapazes de lecionar, desistem da profissão ou entram nas listas dos afastados por licenças médicas, pois eles adoecem!

Há que se ter outro olhar e uma preocupação por parte do governo em passar a oferecer cursos para os profissionais aprenderem a lidar com essa nova realidade, senão, continuaremos a andar em círculos e as pessoas com dor de ouvido continuarão a procurar cardiologistas!

E você, qual a sua opinião?