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Dicionário Poético Gaúcho Brasileiro
Dicionário Poético Gaúcho Brasileiro

VERBETES POÉTICOS

 

Dicionário Poético Gaúcho Brasileiro, trabalho de mais 900 páginas que compila termos do linguajar gauchesco, foi lançado em outubro, durante a Feira do Livro – De José Atanásio Borges Pinto – Corag, 926 páginas.

 

A peculiaridade do linguajar gauchesco desde muito tempo tem ensejado a produção de dicionários, podendo-se citar dois extremos: o primeiro, VOCABULÁRIO SUL-RIOGRANDENSE, de J. Romanguera Corrêa, lançado em 1898, e o mais recente e conhecido, DICIONÁRIO DE REGIONALISMOS DO RIO GRANDE DO SUL, de Zeno Cardoso Nunes e Rui Cardoso Nunes, de 1982, com sucessivas reedições.  Esses pesquisadores agora recebem a companhia do DICIONÁRIO POÉTICO GAÚCHO BRASILEIRO, de José Atanásio Borges Pinto, cujos verbetes têm a inédita peculiaridade de serem escritos em versos.  Mais: a maioria inclui exemplos de uso do termo gauchesco extraídos de obras de autores que vão de Aureliano de Figueiredo Pinto a Sérgio Napp, passando por João da Cunha Vargas, Jayme Caetano Braun, Apparicio Silva Rillo e dezenas de outros.  De “abafadiço” a “xucro”, são cinco mil verbetes em 926 páginas, com edição da Corag.  O dicionário foi lançado em 29 de outubro na Feira do Livro de Porto Alegre.

 

Vacariense de 72 anos, Borges Pinto surgiu no início dos anos 1980 como letrista nos festivais, em parcerias com Elton Saldanha, João de Almeida Neto e Dorotéo Fagundes – que assina com ele a canção SEGREDOS DO MEU CAMBICHO, considerada um clássico da música nativista.  Desde lá dividia a atividade literária de poeta e contista com o trabalho no Banco do Brasil, do qual foi funcionário graduado, chegando a gerente da agência de Lages, para onde foi transferido em 1990 e onde se aposentou.  Na cidade catarinense, fez o curso de Letras, com pós-graduação em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.  O autor conta que desde cedo manteve contato com as coisas do campo e, adolescente, passou a ler sem parar, devorando principalmente livros sobre a cultura, a história e a poesia do Rio Grande do Sul.  É dessa época o interesse pelo significado dos termos e expressões regionais, que começou a anotar em busca de significado.  E assim foi preenchendo cadernos e mais cadernos.

 

HÁBITO DE PESQUISAR TERMOS TRANSFORMOU-SE EM “OBSESSÃO”

 

Como adquiriu o hábito de buscar o significado desses termos, as anotações foram se avolumando de tal forma que, num dado momento, resolveu dar suas próprias definições através do verso.  E as buscas prosseguiam.  De repente, uns 25 anos haviam passado e veio a ideia de transformá-las em um dicionário poético.  Em letra bem pequena, as referências bibliográficas ocupam as últimas 18 páginas do livro.

- Me dei conta de que aquilo se transformara quase em uma obsessão – resume. – Eu lera mais de 700 livros de poesia, história e linguística escritos por autores gaúchos, uruguaios e argentinos de todos os tempos. Anotara centenas de letras de músicas.  Pesquisara em acervos como o do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, onde tive acesso a revistas, jornais e aos mais variados textos tratando do linguajar gauchesco, suas origens e influências.  Depois de tudo, não havia como escapar do livro.  Mas onde achar editora?  Felizmente consegui reunir apoiadores e a Corag para imprimir.

 

Com um livro infantojuvenil sobre lendas gaúchas publicado (NAS ASAS DA FANTASIA, Editora Movimento, 2008) e dois de poemas prontos da gaveta, agora José Atanásio Borges Pinto começa a colher o que plantou.  Em 13 de setembro, foi homenageado pela Câmara de Vereadores de Vacaria pela contribuição à cultura do município.  Em 19 de outubro foi o patrono da Feira do Livro de Vacaria.  E, no dia 29 de outubro, esteve pela primeira vez da Feira do Livro de Porto Alegre, autografando seu dicionário poético.  Na contracapa, escreve o também poeta e letrista Dilan Camargo, ex-patrono da Feira do Livro da Capital:  “Esta obra admirável se constituí, desde já, num dos mais ricos monumentos bibliográficos de referência para o conhecimento, a consulta e a pesquisa da cultura do Rio Grande do Sul.  Obra de um só homem, representa o trabalho de uma vida inteira movida pela energia de uma mente inquieta, criadora, e pela genuína identidade com as falas, as palavras e os sentimentos de sua gente e do seu lugar”.

 

Fonte:  ZeroHora/Juarez Fonseca / Jornalista em  03/10/2016.