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Falando de Gênero
Falando de Gênero

FALANDO DE GÊNERO.

 

Há 10 anos, quando comecei a ler sobre teorias de gênero para a seleção do mestrado, não imaginava que o assunto se tornaria, hoje, mais relevante do que nunca.  Precisamos falar sobre gênero.  Mas o que vemos na arena pública é um movimento inverso:  a discussão sobre o tema está sendo sufocada.  É o que fazem setores conservadores ao criticar o que definem como “ideologia de gênero”.  Não está muito claro o que querem dizer com essa expressão escorregadia, mas me parece que está por trás disso um medo de que sexualidades diferentes da norma hétero possam ameaçar o reinado da família nuclear chefiada por um homem e uma mulher.  Em defesa dessa ideia, lançam o argumento de que Deus quer assim ou assado.  Mas quem tem autoridade para falar em nome de Deus?

O que é propalado como “ideologia de gênero”,  a meu ver, é uma visão equivocada sobre a diversidade.  Como se sabe, “ideologia” é uma palavra que costumamos atribuir aos nossos adversários, nunca a nós mesmos.  É como se o interlocutor dissesse:  “Meu discurso é verdadeiro, mas o discurso de quem discorda de mim é distorcido pela ideologia”.  Diferentes teóricos da cultura demonstraram que, na verdade, somos todos perpassados por ideologias.  Todos veem o mundo por meio de uma lente, que tem a ver com sua formação, o meio em que vive, as leituras que realiza e assim por diante.  Quem defende a supressão do debate sobre gênero dos planos de educação pública não está fazendo nada diferente do que impor sua própria “ideologia de gênero”.  Queiram ou não, o assunto está em todas as relações sociais, inclusive onde menos se espera.  Quando garotos satirizam a sexualidade do colega que faz balé, estão construindo socialmente um conceito hegemônico sobre o que é ser homem.

A perversidade do lobby contra o debate de gênero é que contribui diretamente para o aumento da violência contra a comunidade LGBT.  O ódio começa no discurso.  Não é uma coincidência que notícias de agressões e mortes apareçam sistematicamente nos meios de comunicação.  É uma questão humanitária, que não deveria ser submetida a dogmas.  Estamos falando de políticas públicas.

 

Fonte:  ZerozHora/Fábio Prikladnicki (fabio.pri@zerohora.com.br) 07/10/2015