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Feira do Livro: Alforria Literária
Feira do Livro: Alforria Literária

Feira do Livro: Alforria Literária

 

Por Cláudia de Villar

 

www.claudiadevillar.com.br

 

Que todos sabem que a leitura auxilia no desenvolvimento cognitivo das pessoas, aumenta o vocabulário, ajuda no desenvolvimento do ser crítico todos sabem, inclusive a classe pedagógica: os professores. Mas pôr em prática o hábito da leitura “são outros quinhentos”. Por que ler ainda enfrenta resistência? Por que a prática de comprar livros ainda é tida como um ato solitário ou visto como ato burguês? É exagero? Vamos refletir.

 

Pais matriculam seus filhos nas escolas por dois grandes motivos: porque é obrigatório e porque querem que seus filhos aprendam a ler e a escrever. O primeiro motivo nem iremos abordar neste texto, entretanto, o segundo motivo ou intenção paternal merece um olhar mais detalhado. O que significa aprender a ler e a escrever para os pais? Depende.

 

Temos aqui, novamente, duas alternativas em que uma não anula a outra. Nas duas opiniões temos pais que almejam um futuro promissor a seus filhos, porém, de um lado temos pais que desejam que seus filhos tenham melhores oportunidade na vida, sendo assim , tanto a leitura, quanto a escrita, bem como a aprendizagem do calcular são apenas caminhos para uma maior compreensão do mundo, são pontes que permitirão que seus filhos aprendam muito mais do que decodificar letras e números, mas saibam ler o mundo. Desta forma, o ler ultrapassa ler livros didáticos, vai além, ler passa ser uma forma para alcançar um futuro promissor, além de ser um prazer. Faz parte de um aprender sorrindo. Mais ou menos isto. Portanto, ir a uma livraria e comprar livros faz parte do pacote do aprender a ler e a escrever e do vislumbrar um futuro colorido e de sucesso.

 

Em contrapartida, temos do outro lado, pais que têm por conceito que aprender a ler e a escrever (e calcular) é necessário apenas para um futuro bem próximo, faz parte do ir ao armazém para comprar pão, leite, cigarro e cerveja. Na crise que enfrentamos, não podemos errar no troco! E isto basta. É uma leitura de armazém. Neste caso, ir a uma livraria e comprar um livro está fora de cogitação. Ler livros para quê?

 

Mas quando estas duas vertentes se cruzam, ou seja, se encontram na escola, há os conflitos. Surgem os dilemas dos professores que têm de um lado alunos que possuem duas visões da leitura e quando chega esta época do ano em que escolas se programam para visitar a Feira do Livro (de POA) há um “baque”. Visitar, comprar, pra quê?

 

Desta forma, as escolas vão à feira e os livros ganham um período de alforria, pois neste evento, ganham seu espaço sem grandes conflitos. Podem se exibir para todos. Ganham glamour. Os filhos dos pais que desejam um futuro mais longínquo e do futuro mais ali adiante se divertem na feira. As cores, as formas, os cheiros dos papéis são alucinógenos para um cérebro carente de cultura literária. Todos se libertam e a festa acontece.

 

Porém, não se engane, é apenas por um período apenas. Por que tão logo este tempo termine, os filhos do futuro de boteco voltam para as suas casas, para seus pais com as suas verdades caseiras. Voltam com as mãos e as mentes vazias ou, no máximo, povoadas por livros de baixa qualidade literária e por corações sem recordações a serem guardadas. E, do outro lado, os outros filhos, mesmo com pouca grana, desbravam balaios e voltam para casa com relíquias literárias, além de trazerem corações tomados por uma saudade que já se forma e recordações de palavras e papéis poéticos. Ainda há de chegar o tempo em que os filhos sem recordações consigam se permitir a gostar e admirar a palavra escrita e seja ponte entre a feira e seus pais, conseguindo então, reverter esta situação, dando a carta de alforria definitiva aos livros!

 

E viva a 62ª Feira do Livro de Porto Alegre.