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Leitura Opcional por João Paulo Brasileiro
Leitura Opcional por João Paulo Brasileiro

LEITURA OPCIONAL

  

 

A leitura opcional em nosso país é bem opcional mesmo!

Vejo professores, acadêmicos, literatos, que não carregam um livro sequer no banco do carro ou em suas pastas.

 

Se cada professor, em nosso Brasil, levasse dois ou três livros, todos os dias, para as suas salas de aulas e, agissem de forma que todos os alunos percebessem isso, com certeza despertaria a curiosidade de pelo menos 20% deles, o que já seria um avanço enorme.

 

Vejo grupos, revistas, jornais que incentivam a leitura, porém, ao ler os nomes dos autores recomendados, sinto um nó na garganta, 99% deles, levam nomes de escritores que já não escrevem mais, nunca mais acrescentarão nada à literatura... Concordo que foram gênios, que foram escritores fora de série, mas e os novos talentos?

Qual é o incentivo que os escritores que estão chegando, que estão aparecendo, recebem?

Gente, convenhamos... Ler um João Cabral de Melo Neto, um Vinicius, Graciliano, Jorge Amado, entre tantos outros, é muito bom mesmo, mas, não podemos esquecer que eles nunca mais deixarão de estarem expostos em todas as vitrines, portanto, podemos lê-los hoje, amanhã ou daqui a 100 anos... Mesclemos nossas leituras entre um novo talento e um imortal, assim, daremos oportunidade a um, quem sabe, futuro imortal. E que consigam fazer brilhar um pouco mais, a tão escura chama do LER.

 

Precisamos incentivar a leitura nas escolas, mesmo que os livros nada digam sobre as matérias do currículo escolar, mas com certeza, o ENEM, não seria essa horrorosa demonstração de analfabetismo “alfabetizado”.

 

Lembro-me de quando eu ia para o Grupo Escolar, lá na minha querida cidade de Santo Anastácio, onde a Irmã Isabel, professora principal do  Grupo, todas as semanas tirava um dia para leitura, e mais, fazia com que cada aluno lesse um trecho da historia.

Lembro-me também que briguei e chorei muito porque queria um livro chamado Zorba, O Grego, e sem condições financeiras, meus pais não puderam comprá-lo para mim.

Sabem por que eu queria tanto aquele livro? Porque a Irmã Isabel esqueceu-o sobre a mesa e eu o vi, e quando ia começar a folheá-lo, ela voltou para buscá-lo.

De uma forma ou de outra, aquilo despertou em mim uma curiosidade sem tamanho pela leitura, o que proporcionou um pouquinho do que hoje sei.

 

Certo dia eu levei até a escola onde meu filho estudava 16 livros de minha biblioteca particular, para doá-los. Qual não foi minha surpresa, quando ouvi da diretora do colégio, que aquilo só iria atrapalhar, porque os alunos nem liam os livros escolares, imagina se leriam outros tipos de livros...

Aquilo me desequilibrou momentaneamente, senti ali, que a ignorância voa pelas cabeças de quem está com a ordem em seu poder.

Não consigo imaginar um dirigente de escola coibir a leitura... Concordo também que a maioria não age assim, mas, esses quatro ou cinco que o fazem, acabam apodrecendo o saco todo de maçãs.

Hoje em dia, se prestarmos atenção nos comerciais de televisão, nos textos de novelas, e até mesmo em revistas e jornais, veremos o quanto nossa ortografia está sendo molestada.

Sou um pequeno escritor independente, porém, do pouco que escrevo, procuro não errar e, se acaso acontecer, apago o texto todo e recomeço do zero... Até aprender!

 

João Paulo Brasileiro... Artista Plástico e Designer Gráfico.