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Literatura Gótica
Literatura Gótica

 

INDO A LONDRES, NÃO DEIXE DE VISITAR O MUSEU DO HORROR.

 

Exposição resgata história e influência da literatura gótica, dos vampiros vitorianos à moda do século 21.

 

Caninos pontiagudos de ilustres vampiros, rostos deformados de monstros humanizados, donzelas em perigo, gritos sufocados na garganta, risadas enlouquecidas.

Misture tudo em um ambiente à meia luz, cheio de sombras e cortinas, acrescente uma pitada das rendas de Alexander McQueen e voilà! Eis uma bela exposição sobre a história e a influência da literatura gótica, que completou 250 anos neste 2014.

Tudo isso está presente na mostra “Terror and Wonder – The Gothic Imagination”  (Terror e Espanto – A imaginação Gótica, em tradução livre), em cartaz na British Library, a biblioteca pública britânica, em Londres (Inglaterra).  Trata-se não só de uma viagem no tempo, mas também de uma discussão sobre como a literatura reflete a sociedade – e sobre a sociedade.

A pedra fundamental da exposição é um magnífico exemplar da primeira edição de “The Castle of Otranto”,  lançado em 1764 e reconhecido como a obra pioneira da literatura gótica.  Só mesmo a redoma que protege o volume impede o visitante de ceder à vontade de manusear o livrão de capa dura, ilustrações que hoje parecem pueris e páginas amareladas, cujo cheio infelizmente não ultrapassa o vidro.

Há ainda vários recantos dedicados ao peculiar autor da obra, Horace Walpole (1717-1797). Quarto conde de Oxford, historiador de arte e colecionador, Walpole abriu ao público a propriedade em que vivia, a Strawberry Hill, após transformá-la em símbolo da cultura gótica.  Ilustrações e textos dedicados ao local estão na exposição.

 

O visitante da mostra pode apreciar, por exemplo, a curiosa “biblioteca” que Walpole mantinha na Strawberry Hill, um volume que parece um livro alto e grosso.  Aberto, ostenta prateleiras que abrigam uma coleção de minilivros, do tamanho de maços de cigarros; na contracapa, em letra caprichada, está o registro do acervo, com informações sobre cada obra.

Apesar de sua importância como pioneiro, Walpole nem de longe é popular. É um perfeito desconhecido se comparado a outros grandes nomes da literatura gótica, também presentes na exposição.  Há, por exemplo, manuscritos de Mary Shelley (parte do texto de apresentação de Frankenstein”) e de Bram Stoker, o autor de “Drácula”.

Também há trechos de filmes que marcaram época e são ainda cultuados pelos apreciadores do gênero – ainda que possam parecer ridículos a um observador menos apaixonado.  Exemplo disso é o clipe com as tocantes (ou risíveis) cenas do filme americano “A noiva de Frankenstein” (1935)

CAÇA-VAMPIROS.

 

Eis que a vida imita a arte: da era vitoriana, mais perto do final do século 19, há até kits para caçadores de vampiros.  Um deles, com enormes pregos de madeira, pode provocar calafrios no visitante menos petrificado, “além de uma certa vontade de sair a caçar monstros”.  Textos curtos, mas densos, acompanham o ac ervo, situando autores e fazendo breves análises.  Contam, por exemplo, que, no século 19, o terror deixa o ambiente dos castelos e ganha as ruas; a sujeira e a miséria apavoram mais que a imaginação.

Mostram como a estética gótica influencia a descrição da pobreza e dos exploradores de miseráveis na ficção de Charles Dickens (1812-1870) – o vilão Fagin, de “Oliver Twist”, por exemplo, seria um “vampiro” do trabalho de menores abandonados.  E o gótico chega aos tempos modernos, na moda de McQueen, em histórias em quadrinhos e em desenhos animados, sem falar na obra de diretores como Hitchcock e Stanley Kubrick.

Mesmo antes do sucesso adolescente da saga “Crepúsculo”, jovens (e outros nem tanto) revivem a estética gótica em animados encontros em Whitby (localidade citada em “Drácula”). O mais recente deles, realizado neste ano, foi registrado pela câmera de Martin Parr especialmente para a exposição.

Ao sair da cena gótica, totalmente imerso na estética multicentenária, o visitante cai em uma ala da lojinha do museu especialmente dedicada ao tema: há desde exemplares do histórico livro de Horace Walpole e de outras obras do mundo gótico até peças de decoração, brinquedos, acessórios e, claro, magnetos com o cartaz que apresenta Terror and Wonder.  Dá para passar uma rápida e substanciosa hora ou dedicar uma tarde inteira à mostra, que vai até dia 20 de janeiro, com ingressos a 10 libras (cerca de 40 reais). (Rodolfo Lucena/Folhapress).

 

Fonte:  Jornal O Sul-Caderno Reportagem-30/12/14

Pesquisa e Postagem/Nell Morato