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Maurício de Souza, além do Gibi
Maurício de Souza, além do Gibi

MAURICIO ALÉM DO GIBI

 

Criador da Turma da Mônica conta em autobiografia histórias como o convite que recebeu para morar na Capital em 1961.

 

Mauricio de Souza por pouco não morou em Porto Alegre. Desenhista iniciante, com meses de aluguel em atraso, foi cortejado por amigos com uma casa própria na Capital e condições ideais para a criação artística. No entanto, deu-se conta em tempo de que aquele era “o próprio canto da sereia” e desistiu da ideia. Em consequência, sofreu até ameaças de violência física.

 

Essa e outras histórias do quadrinista mais bem sucedido do país vêm a público agora, com a autobiografia MAURICIO: A HISTÓRIA QUE NÃO ESTÁ NO GIBI, que acaba de chegar às livrarias. No relato, Mauricio conta como o filho de um barbeiro do interior paulista se tornou um gigante do entretenimento no Brasil, detendo 80% do mercado infantojuvenil nas bancas e espalhando seus personagens em desenhos animados, filmes e rótulos de diferentes produtos.

 

- Escrevi para os leitores entenderem como foi dura minha trajetória. Não foi bolinho. Quem quiser seguir um caminho como esse precisa ter muita vontade, teimosia e foco – diz o desenhista.

 

A tentativa de assentar Mauricio em Porto Alegre ocorreu no final de 1961, quando Leonel Brizola (1922-2004) estava patrocinando uma cooperativa de desenhistas brasileiros. Mas, segundo o pai da Mônica, seria preciso adaptar a postura de seus personagens, tendo viés ideológico, tornando-os “defensores do proletariado”. O quadrinista, que afirma não ser de direita nem de esquerda, desistiu na hora. Em seguida, recebeu um telefonema de alguém que não se identificou, sugerindo que ele poderia quebrar o braço ou a mão “de um jeito que você não vai conseguir desenhar nunca mais”. Mauricio não mudou de ideia. “No futuro, sobretudo a partir de 1964, os críticos diriam que os personagens da turminha eram alienados, que o mundo podia cair que eles não assumiriam posições. Sim, é isso mesmo. Eles são crianças, não “fantoches ideológicos” escreve o autor.

 

É com esse tom direto que Mauricio conduz a autobiografia. Na verdade, apesar do estilo confessional em primeira pessoa, o texto foi preparado pelo jornalista Luís Colombini, que também escreveu GUGA, UM BRASILEIRO, sobre o tenista catarinense.

 

- Eu e o Luís nos encontramos semanalmente na minha casa por cerca de um ano. Não eram entrevistas. Eram conversas. A gente ia falando sobre o que vivi por duas, três, às vezes quatro horas seguidas. Eu ia lendo o que ele ia produzindo e dizendo “essa palavra eu não uso” ou “é melhor mudar essa expressão”, para que o livro ficasse com a minha cara. Além disso, ele é um jornalista investigativo, então conseguia complementar vazios da minha memória – conta Mauricio.

 

Apesar de não se considerar de esquerda ou direita, no início dos anos 1960 o quadrinista foi rotulado de comunista e banido da imprensa, pois militava a favor da reserva de mercado para o quadrinho nacional na Associação de Desenhistas de São Paulo (Adesp), entidade que chegou a presidir. Depois de negar a vinda para Porto Alegre, foi a vez de ser criticado pela esquerda. Foi assim que, já casado e com três filhas, dedicou-se de modo quase obsessivo à criação de suas tiras e fundou sua própria empresa para negociar seu trabalho, importando o modelo das distribuidoras americanas de quadrinhos.

 

- Mauricio já havia trabalhado na imprensa paulistana como repórter policial, aprendendo como se dava a compra e a venda de desenhos. Era o início da Bidulândia Serviços de imprensa, que começou publicando em pequenas gazetas paroquiais,mas logo seduziu jornalões cariocas e paulistas.

 

Viradas como a da Bidulândia foram constantes na vida de Mauricio de Souza e o fizeram construir uma carreira ímpar no mercado brasileiro. Hoje com 10 filhos, 11 netos e três bisnetos, estima que seus livros e revistas alcancem 10 milhões de leitores por mês. E os números devem seguir em crescimento: o desenhista, que já conquistou espaço em países como China e Coreia do Sul, deve lançar em breve a Turma da Mônica jovem no Japão.

 

- Aqueles que cobravam como meus personagens deviam ser e se comportar já foram embora há muito tempo. Hoje me sinto livre, leve e solto para criar do jeito que eu quero e que funciona – comemora o autor.

 

 

Veja como Mauricio de Souza reinventa a Turma da Mônica no século 21 em:

http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/livros/noticia/2017/06/como-mauricio-de-sousa-reinventa-a-turma-da-monica-no-seculo-21-9809229.html#showNoticia=QFw3QGx5M3E5MDE0NTUxOTEwNzIzNjI0OTYwTndq

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Fonte: ZeroHora/2º Caderno/Alexandre Lucchese (alexandre.lucchese@zerohora.com.br) em 07/06/2017.