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O Ganha-Pão dos Escritores no Brasil
O Ganha-Pão dos Escritores no Brasil

 

No dia 27/12/2014 me deparei com uma reportagem da Folha de São Paulo, na Ilustrada, sobre uma pesquisa que indagava: do que vivem os escritores no Brasil?

Por ser escritor, e por também já ter comentado com amigos e familiares a respeito do retorno financeiro que tem um autor que consegue publicar sua obra, e às vezes ser chamado de sonhador, logo me interessei pela matéria, afinal, não deixa de ser curioso saber como vivem outros colegas além de mim.

Infelizmente, para minha “não” surpresa, me deparei com a crua realidade de quem deseja um dia viver desse ofício tão complicado, ou seja, a coisa não é nada recompensadora se apenas se pensar em retorno financeiro.

 

 

Em meio ao imenso volume de obras lançadas todos os anos, em todos os lugares do mundo, fica muito difícil para qualquer escritor, principalmente os iniciantes, angariar qualquer destaque nesse meio voraz. Mas a pesquisa é interessante, pois revela dados pouco conhecidos, como, por exemplo, um contrato comum, entre escritor e editora (no caso se você não for um Paulo Coelho, um George R.R. Martins ou um Dan Brown, além de outros, que certamente ditas suas cláusulas) sobre a receita gerada pelas vendas: do preço da capa, apenas 10% são do autor, os 90% restante fica com a editora e suas despesas de produção e divulgação. Até aí, mesmo se você não for um desses autores citados, já se pode ver o quão pequena é a cota do criador da história, da pessoa que ficou por anos e anos quebrando a cabeça para escrever algo de qualidade.

Pois além da concorrência e da dificuldade de ser publicado, há os valores brutos: a matéria nos apresenta o seguinte cálculo: a tiragem padrão para editoras já estabelecidas gira em torno de 3.000 exemplares; caso o livro seja vendido por R$ 35,00, e caso essas 3.000 cópias sejam vendidas em dois anos, o que é uma projeção otimista, ganharia R$5.250,00 por ano, menos de R$ 500,00 por mês. Resultado disso: a grande maioria dos autores, estejam eles fazendo parte ou não dessa pesquisa, não sobreviveriam exclusivamente da escrita aqui no nosso país.

A pesquisa ainda revela que dos 50 autores questionados, apenas 4 vivem exclusivamente da renda obtida com os livros, e 3 desses escrevem para um público mais jovem, sendo que todos os demais possuem alguma outra atividade, ou ligada a literatura de alguma modo, como Oficinas Literárias e palestras sobre literatura, ou totalmente fora dela, o que se revela a maioria dos casos, onde me incluo como empresário.

Ainda assim, alguns autores dizem que o meio literário brasileiro se encontra melhor do que no passado, o que acredito também, dada as maiores facilidades proporcionadas pela tecnologia, tanto de venda como de divulgação.

Mas, além da pesquisa abordar outros aspectos, para esse post ela serve para análise de dados e números gerais, e também uma pequena reflexão, pois, o que de imediato parece ser algo injusto para o escritor, em detrimento do que fica nas mãos da editora, acaba sendo algo interessante ao mesmo, afinal, sem uma boa editora, sem um excelente trabalho editorial e de divulgação, a obra corre o risco de ficar esquecida, ou depor contra si mesma em uma edição sem qualidade.

Por isso, uma coisa é certa, um escritor de verdade não escreve pensando em ser best-seller ou se tornar famoso, mesmo que seja profissional, um escritor antes disso deve escrever para si mesmo, como hobby, como paixão, como um jogo de palavras cruzadas a ser desvendado, um quebra cabeça que apenas a paixão pela escrita não permite desistir. E, para quem não desiste, a chance pode chegar, pode levar anos, muitos anos, mas o escritor que sabe que escreveu com sinceridade um dia será reconhecido pelos leitores.

A matéria completa se encontra nesse link:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/12/1567614-pesquisa-informal-mostra-que-poucos-escritores-se-sustentam-pela-venda-de-livros-no-brasil.shtml


Licínio Arantes Neto, autor de Os Dois Mundos – O Arauto, é formado em Direito pela Instituição Toledo de Ensino de Bauru/SP, e, atualmente, atua como empresário no ramo de construção civil, o que não o impede de realizar suas grandes paixões: a leitura e a escrita.

Contato: lan@eupapeleletras.com.br
Page: www.facebook.com/osdoismundos

Colaboração do escritor Josue Matos