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O Reino da Fala, de Tom Wolfe
O Reino da Fala, de Tom Wolfe

A MÃE DOS ARTEFATOS

 

LIVRO: O Reino da Fala, de Tom Wolfe – Autor de A Fogueira das Vaidades

 

A linguagem, a palavra é a mãe de todos os artefatos. Ela é, em todas as formas, o que fez o homem avançar bem além dos limites da seleção natural, exposta na doutrina de Darwin. Darwin, diga-se, com sua teoria, não conseguia lidar com os artefatos, que, por definição, são antinaturais, e nem com a linguagem. O poder inexplicável da palavra estava deixando Darwin maluco.

 

A partir destas considerações o grande jornalista e escritor norte-americano Tom Wolfe, autor do célebre romance A FOGUEIRA DAS VAIDADES e de mais uma dezena de livros, escreveu sua mais nova obra, O REINO DA FALA (Rocco, 192 páginas), tradução de Paulo Reis. Wolfe, o bem-humorado e iconoclasta que foi um dos fundadores do já lendário Novo Jornalismo, nesta análise sobre a fala, a palavra e a linguagem, narra como ela é, em verdade, a responsável pelas grandes e complexas conquistas humanas. Sempre se pensou que a evolução, tratada principalmente por Darwin, fosse a responsável pelo grande caminho dos homens na terra. Wolfe lança dúvidas sobre esse cânone.

 

Tom Wolfe, após estudar e pesquisar muito, especialmente da obra do outsider linguista Daniel Everett, dono de obra controversa e em trabalhos de autores como Marx, Lutero, Freud, Darwin, Einstein, Clomsky e Alfred Wallace, lança a ideia, polêmica, é claro, de que a falar é o que nos diferencia realmente de outros animais. Sem pretender explicar ou refletir demais, Wolfe, como sempre, com muito humor e estilo, apresenta este trabalho altamente provocativo, mostrando que cento e cinquenta anos depois da teoria da Evolução, na verdade ninguém até hoje explicou a fala. Fisicamente o homem é inferior à maioria dos animais e, num embate “mão contra pata”, com alguma criatura do seu tamanho, o homem seria jantado por algum animal.

 

A superioridade e o controle dos humanos sobre os outros animais seria decorrência do grande poder da fala, que, segundo o inglês Alfred Russel Wallace, não seria fruto de tal seleção natural. Essa é a ideia central do livro de Wolfe, que, segundo o The New York Times é o duelo mais ousado do escritor, que sempre se dedicou a chacoalhar o status quo, com sua prosa irreverente e precisa.

 

O REINO DA FALA já está dando muito o que falar e, pelo visto, vai render muita conversa mais.

 

Fonte: Jornal do Comércio/Livros/Jaime Cimenti (jcimenti@terra.com.br) em 10/09/2017