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O Tango em Porto Alegre
O Tango em Porto Alegre

O TANGO EM PORTO ALEGRE

 

Este livro, “O Tango em Porto Alegre (1914-2014)”, com resgate histórico documental, homenagens póstumas e 31 entrevistas brindadas por personalidades do tango da capital gaúcha, revela quão enraizado é o tango na capital do Estado.  Podemos dividir a história do tango em Porto Alegre em três períodos.  Dois grandes períodos que vão de 1914 a 1973 e 1974 até 2003.  O terceiro período começa em 2004, encontrando-se com 11 anos de existência.  Nosso ponto de partida é o ano de 1914, quando A Eléctrica grava e prensa o primeiro tango na América Latina.  O tema foi “El Chamuyo”, gravado pelo grande maestro Francisco Canaro, uruguaio naturalizado argentino, autor da citada composição.  A capital gaúcha passou a ocupar um lugar de destaque no mundo discográfico rio-pratense, incentivando o mercado tangueiro local.  O centro de Porto Alegre, lá pelos anos 20, já possuía alguns cafés e confeitarias, com música ao vivo, à altura de cidades europeias, nos quais frequentemente se apresentavam orquestras típicas.  Os cabarés, cassinos e programas de rádio, com música ao vivo, também foram importantes redutos tangueiros.  A capital gaúcha viveu intensamente a época de ouro do tango.  Na década de 60, o tango começa a ter um declínio, marcado pelo fechamento dos bares e confeitarias, dos cabarés e dos cassinos, pois o jogo havia sido proibido.  A tudo isso soma-se o advento da TV Piratini, o que mudou o conceito de mídia e colaborou para que os programas de rádio já não colocassem música ao vivo com a mesma intensidade de antes, até eliminá-la completamente.  Isso fez com que muitos músicos ficassem desempregados.

Em 1974, há o início de um segundo período marcado por três grandes acontecimentos:  a inauguração das casas La Cumparsita, em novembro de 1974; Mano a Mano, inaugurada em março de 1975; e o programa de rádio “Tangos em la Noche”, 1977, que deu apoio cultural brindando o fundamento histórico e oportunizando espaço para apresentações ao vivo.  No final deste período, grandes personalidades e artistas, que fizeram a história do tango, começam, a desaparecer fisicamente do plano terreno, bem como a maioria do público que se fazia presente, sem deixar registros bibliográficos.  Por essa razão, muitos dados foram esquecidos ou perdidos, e a nova geração tangueira desconhece os baluartes que fizeram a história do tango em Porto Alegre.  Esse período completa seu ciclo com o fechamento da casa noturna El Tango, em 2003.  A última casa noturna, com pista de dança e música ao vivo, a funcionar todos os dias.

 

                                 

 

Em 2004, podemos dizer que começa um novo período, o período da proliferação de academias de dança, de professores, de oficinas comunitárias, milongas e práticas com música mecânica, além da presença de festivais internacionais, com ênfase na dança, da ausência de uma casa noturna específica de tango, da desvalorização da música ao vivo, do primeiro “Disco de Ouro” do tango no Brasil, gravado em Porto Alegre, no segundo período, e do primeiro livro a contar um século da história do tango em Porto Alegre.  O mercado tangueiro é comandado pelo tango-dança.  Constatamos diferentes visões sobre essa arte.  Entre outras, as que falam sobre o declínio e as que consideram em crescimento.  O tango é uma arte além-fronteiras que fortalece vínculos e eleva o espírito.  As folhas da história sussurram um novo amanhecer... Viva o tango!

 

Fonte:  Correio do Povo/Caderno de Sábado/Washington Gularte (Autor e músico uruguaio.  O livro será lançado dia 10 no El Toro Pub do Shopping Total, com show de tangos reunindo Washington Gularte, Mano Monteiro, Pepito Diaz e Saleh) em 05/09/2015.