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O Tempo do Nenhum de Nós
O Tempo do Nenhum de Nós

O TEMPO DO NENHUM DE NÓS

 

Livro que conta história da banda marca as comemorações de seus 30 anos de trajetória.  Novo projeto acústico também foi lançado em 2016.

 

Apenas 15 pessoas foram assistir ao Nenhum de Nós no Teatro Ultravisão, em Poços de Caldas (MG), em setembro de 1995.  A apresentação fazia parte da turnê do álbum ACÚSTICO AO VIVO NO THEATRO SÃO PEDRO, lançado no ano anterior e que rendeu um disco de ouro à banda.  Apesar do sucesso de vendas, o público de ora do Rio Grande do Sul estranhava a falta dos elementos roqueiros e o excesso de sonoridades regionais do disco.  Foi um momento difícil em uma trajetória que já contava com disco de ouro por CARDUME (1989), show no Rock in Rio 2 (1991) e vitória no Vídeo Music Brasil, que levou o grupo a representar o país no Vídeo Music Awards de 1992, em Los Angeles.

 

Os shows para pequenas audiências daquela época foram só contratempos passageiros na exitosa carreira da banda porto-alegrense, passada a limpo no livro NENHUM DE NÓS – A OBRA INTEIRA DE UMA VIDA (Editora Belas Letras), do jornalista Marcelo Ferla.  A biografia – que faz parte das comemorações de três décadas da banda, que também inclui o espetáculo ACÚSTICO 1+2 = 30, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre em 2016.

 

O projeto do livro iniciou com uma garimpagem do guitarrista Carlos Stein, que chegou a escrever alguns textos.

- Chamamos o Ferla, que, talvez, dos jornalistas que a gente conhece, é o que nos acompanha há mais tempo.  O Carlão já tinha conversado com algumas pessoas.  Mas ele não é jornalista – explica Thedy Corrêa, vocalista da banda.

 

Ferla reproduz trechos que foram escritos por Carlão, além de utilizá-los como base de consulta.  Mas frisa que o livro não é “apenas para os fãs”:

- O livro conta uma história universal: garotos que estudavam juntos, gostavam de música, formaram uma banda de garagem e estão juntos há trinta anos.  É uma obra que tenta entender como cada fase da banda refletia o momento do que estava acontecendo no país.

 

Segundo Thedy, a visão crítica e distanciada do autor foi importante para a realização do projeto.

- Não são só as coisas bem-sucedidas que estão no livro – diz o vocalista.  – Assumimos os nosso erros e a nossa inexperiência em alguns momentos.

 

É por isso que momentos delicados da trajetória da banda, como aquele citado na abertura deste texto, são examinados já no início do livro.

- Já quis deixar claro que não foi tudo lindo e maravilhoso – explica Ferla.  – Para chegar aos 30 anos, você passa por maus bocados.  E tem de vencê-los.  Essa fase do ACÚSTICO AO VIVO NO THEATRO SÃO PEDRO fez o Nenhum de Nós se tornar independente.  Quando o grupo surgiu, chegou a ser acusado de ser uma “banda de gravadora”, fabricada, o que não foi.  E houve o estigma ASTRONAUTA DE MÁRMORE, música que tornou o Nenhum conhecido nacionalmente, mas que também rendeu críticas: houve quem acusasse a banda de ter conspurcado a música do Bowie (Starman).

 

Após os dois primeiros capítulos, a biografia assume uma narrativa linear contado como foi a formação do grupo, as produções de seus discos, ressaltando as renovações em sua musicalidade.

- O Nenhum de Nós não é uma banda que olha para trás.  Seus discos novos não são protocolares.  Deixam claro que se trata de uma banda de 30 anos em evolução – observa Ferla.

 

DUAS HISTÓRIAS DO LIVRO

 

Em 17 de outubro de 1990, a revista Veja publicou uma reportagem sobre o sucesso da Legião Urbana.  No texto, foram abordados túmulos registrados em shows da banda de Brasília.  O Nenhum de Nós entrou na história: oi citado como um dos propulsores de um tal “rock violência”.

 

“Assim como o Legião, o Sepultura, de Belo Horizonte, ou o Nenhum de Nós, do Rio Grande do Sul, costumam criar faíscas de tensão que logo detonam explosões caso na plateia existam integrantes de gangues organizadas que hoje acorrem aos shows de rock”, diz o texto da Veja.  “Herdeiras do punk e dos skinheads ingleses, essas turmas jogam pesado”.

 

Outro trecho de NENHUM DE NÓS – A OBRA INTEIRA DE UMA VIDA conta uma história de João Mitra, técnico que acompanha a banda.  Após um show em Angra dos Reis (RJ), o grupo resolveu conhecer Paquetá.  Os integrantes beberam um tantinho.  Alegres, estavam aos berros cantando uma música feita para o motorista que os conduziu.  Até que, “sem perceber, passamos na frente de um velório.  (...) O pessoal nos identificou.  É incrível, mas o morto tinha ido ver o show de Angra e morreu em um acidente de carro na volta”, descreve Mitra.

 

 

Fonte:  ZeroHora/William Mansque / william.mansque@zerohora.com.br em 25/10/2016.