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Presente Descompromissado = Futuro Descomprometido
Presente Descompromissado = Futuro Descomprometido

Presente descompromissado = Futuro descomprometido

Por Cláudia de Villar

www.claudiadevillar.com.br

 

A falta de compromisso com a infância e adolescência gera um adulto descompromissado com a vida. Deixar para depois, o passar a mão na cabeça, pois são pequenos, a tal frase: “a vida ensina” nem sempre surte o efeito esperado e, muitas vezes, gera cidadãos medíocres e inertes.

 

Quando falamos da criança e do adolescente precisamos entender que esses são pessoas, não um rascunho que poderá ser melhorado. Diferente da situação em que você pode pegar uma folha em branco e fazer seus esboços, podendo errar quantas vezes for preciso, jogando na lixeira as tentativas erradas, a formação do cidadão do futuro passa pelas mãos dos pais e professores. Isso é muito sério. Não basta ser pai, tem que ser formador! Não existe a possibilidade de jogar na lixeira uma criança e começar tudo novamente. Temos que nos esforçar o máximo para acertar!

 

Entretanto, encontramos por aí pais acovardados em sua missão. Têm medo de dizer “não”, têm medo de machucar, têm medo de ensinar. E, sendo assim, fazem todas as vontades de seus filhos, não ensinando respeito, comprometimento e outros tantos valores, jogando toda a responsabilidade da formação moral para a escola, que encontra, muitas vezes, professores amedrontados por pais que não fazem a sua parte e querem, querem não, exigem duas posições distintas da escola: a primeira é que tratem o filhinho querido da mesma forma que o bebê é tratado em casa, com todas as regalias e sem conhecer o que é “NÃO” ou, na segunda opção, cobram da escola que seu corpo docente seja mais enérgico com seus pimpolhos, que ensinem respeito, justiça, solidariedade e comunhão. E, pasmem, que ensinem a respeitar os mais velhos e, nesse caso, os próprios pais se enquadram.

 

Há pais que chegam às escolas desesperados, que perderam totalmente o respeito de seus filhos, soltaram as rédeas desde o útero, se tornam amiguinhos dos filhos no berçário, não conhecem a diferença entre ser pai e ser amiguinho e agora suplicam uma posição firme dos professores. Ensinar valores faz parte da educação dos pais. Não basta gerar filhos. Há que se gerar o futuro do país.

 

A gravidez acontecendo cada vez mais cedo assusta. Quais valores essas adolescentes (porque os pais somem!) vão passar aos filhos? Muitas vezes, são jovens que mal sabem escrever seus próprios nomes, e que não conseguirão nem ajudar seus filhos nas tarefas de casa! Que futuro está sendo gerado hoje? Quais compromissos esses jovens têm com o país? Quais esperanças que gerarão conselhos a seus pimpolhos? Crianças gerando crianças! Adolescentes que engravidam muito cedo e se orgulham disso! E têm ao seu lado, avós também orgulhosos. Todos desempregados de esperanças. Quais valores passarão na construção moral desse ser que recém chegou ao mundo?

 

Dessa forma, podemos concluir que o futuro está nas mãos de uma bomba relógio que irá, não sei quando, explodir, levando consigo muitas possibilidades de uma vida com sonhos. Por isso que o descomprometimento de pais e professores é culpado também pela não formação de um futuro digno e igualitário. Ensinamos justiça quando o filho deixa de fazer o tema e o pai espera que ele seja repreendido pela professora. Da mesma forma, a escola ensina respeito quando não permite que um aluno ofenda verbalmente um colega ou uma professora pensando que essa é a linguagem que eles praticam em casa, por isso, é normal falar palavrão.

 

Para finalizar, eu soube de um caso verídico em que o aluno mandou a professora “para aquele lugar” e, ao ser chamada à escola para conversar sobre o assunto a mãe, irritadíssima por ter que ir à escola, justificou a atitude do filho com a frase: “Algum motivo ele teve pra mandar aquela pra (...)”. Onde estamos? Que país nós estamos, como adultos, colaborando em construir? Por isso, não somente na mão de criança e adolescente está o futuro do Brasil, mas também nas mãos de pais e escola. Ainda bem que há exceções.