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Professor "Abortador"
Professor "Abortador"

 

PROFESSOR "ABORTADOR"

Há várias formas de aborto. Uma delas é o aborto do leitor. Abortar, aniquilar, tirar a chance de existir, de sonhar, de ser. E o mais potente “abortador” de um leitor é o professor. Não se assustem! E não briguem comigo. Eis que esse é um texto ao qual não apresenta nenhuma verdade absoluta. E nem quero aqui causar qualquer tipo de constrangimento ou antipatia. Veja, sou uma professora. E por ser uma professora e ter sido (e ainda sou) aluna por muitos anos é que cheguei a essa conclusão.

Amigos e queridos leitores, não há nada pior do que um Professor Abortador.

Um professor abortador é aquele que menospreza a vontade do aluno. Aquele que não dá a mínima para o aluno que está engatinhando nas primeiras letras. E o pior, é quando o professor não se dá conta do mal que está fazendo ao aluno. Os professores que praticam o ato do aborto não são professores, são assassinos de ilusões. Afinal, ler é estar, constantemente, conectado às ilusões, à fantasia!

Quantas e quantas vezes um aluno chega até um professor, com aquele livro amassado, riscado, nada ideal à sua idade e escuta a frase mortal: “Esse livro não é pra sua idade! E quanta falta de higiene, por que ele está amassado?!” Pronto! Acabou-se a chance de nascer mais um leitor. Há também aquele que nunca demonstra aos alunos que ler é prazeroso. Esse é o caso clássico em que o professor fala: “Ler é fundamental, importantíssimo. Todos vocês devem ler!” E então manda todos lerem em sala de aula, enquanto ele faz qualquer outra coisa naquele momento... Menos ler. Educa-se mais pelo exemplo do que pelas palavras, lembram-se?! O que o leitor em formação pensará? “Se meu professor não está lendo, significa que ler não é importante para ele e se não é importante para ele, também não deverá ser importante para mim... Vou fingir que estou lendo, então”. Outro aborto de um leitor!

Não seria melhor, no primeiro caso acima exemplificado, o professor ter dito: “Olha, que legal! Que livro você está lendo? Quem te indicou? Você está gostando?” E, em seguida, sugerir outros títulos. Falar sobre o livro amassado e riscado nesse momento seria jogar um balde de água fria no leitor-feto. A intenção ali é a leitura, não o desleixo, muitas vezes, praticado por outra pessoa e não pelo aluno.

No segundo exemplo mencionado anteriormente, o mais justo com os alunos seria ler juntamente com eles. Mostrar, através de seu exemplo, que a leitura é prazerosa também para ele. Eu, em sala de aula, sempre tive uma mini biblioteca (várias caixas de papelão, melhor dizendo) num cantinho da sala. Lá nesse cantinho da leitura, tinha HQs, revistas, jornais, recortes de tirinhas de jornais, recortes de reportagens antigas, revistas informativas e livros... Muitos livros. E de vários títulos, com um leque amplo (na medida do possível) para que o aluno pudesse escolher o que desejava ler no nosso DIA DA LEITURA. Nesse dia, todos nós líamos! Eu e eles! Em seguida, todos deveriam registrar, por escrito, a sua opinião sobre o livro escolhido. Sempre dizia e ainda digo: “Ninguém é obrigado a gostar do que leu! Se alguém não gostava do livro, bastava dizer que não gostou e, claro, justificar a resposta!”.

Mas, para finalizar esse texto de hoje, trago aqui o mais potente dos abortos: o professor que não gosta de ler! Se quem deveria ser o que forma o leitor não gosta de ler... O que pensar sobre essa gravidez literária? Dessa forma, ficará difícil levar a ‘gestação’ de um leitor até o final: Eis mais um aborto literário!