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Sidney e a Biblioteca
Sidney e a Biblioteca

SIDNEY E A BIBLIOTECA

 

No dia em que encontramos Sidney Júnior Costa Bispo, ou só Sidney Costa, na Praça da Alfândega, ele distribuía bilhetes xerocados de 7cmx7cm.  Propagandeava sua biblioteca, que seria aberta dali a alguns dias, e pedia doação de livros.  O endereço:  Rua 5, casa 5, Vila das laranjeiras, no Morro Santana, em Porto Alegre.  Ou, trocando em miúdos, a garagem da casa de Sidney, onde ele mora com mais quatro pessoas – a mãe, Vera, a irmã, Juliana, o irmão, Alessandro, e a tia, Gleice.  Sidney sonhava há algum tempo com o projeto – que virou a Visão Periférica – Biblioteca Comunitária – e mais ainda desde o nascimento da filha, a Cecília, de um ano e meio.

É que o foco da biblioteca são as crianças.  Elas são atraídas pelos 350 livros (em bom estado) coletados em doações, muitos deles de literatura infantil, mas também pela contação de histórias, todas as quintas, às 10h.  os cerca de 30 guris e gurias que buscam a biblioteca ainda querem levar para casa livros e filmes, emprestados a uma média de cinco por dia.  E mais crianças devem ser atraídas assim que rolarem as oficinas de teatro ou a gravação de um curta, sobre zumbis, um de seus temas preferidos, para aprenderem um pouco sobre produção, criação, edição...

Sidney, de certa forma, redime sua própria infância/adolescência, passada em várias escolas.  Agora, a distância, vê que não se interessava com a forma como tentavam ensiná-lo e foi só até a 7ª série.  Mas continuava preocupado em aprender.  Voltou aos livros quando, ao trabalhar em um shopping da cidade, frequentava uma grande livraria e(re)despertou para a leitura.  Com a ideia da biblioteca, também retomou os estudos e fez um curso de mediação de leitura.  Entre um bico de trabalho e outro, aos 27 anos, faz supletivo, que deve ser concluído n este ano, e mira na universidade – talvez Ciências Sociais ou psicologia.

Entre as leituras preferidas estão livros de psicologia, exotéricos, espíritas, de administração.  Dos autores e livros, gosta de O Matuto , de Zibia Gasparetto, escritora espiritualista que também é médium, e Os Vagabundos Iluminados, de Jack Kerouac.

Sidney acredita em transformação da realidade por meio da cultura, da literatura, das artes, mas principalmente pelas pessoas.  Destaca que não está sozinho na biblioteca: da família aos vizinhos, dos amigos aos voluntários, hoje eles integram um coletivo.  As ajudas incluem a rádio comunitária local, a parceria pedagógica das bibliotecas das Redes de Leitura e a ONG Cirandar, além dos doadores em geral.

E, na conversa, já vai emendando um convite, porque a ideia é estar sempre agitando, engajar mais gente e fazer mais:

- Dia 17 (de março) vamos fazer um sarau aqui.  Tá convidadíssima, hein?!

Ter dado vida a uma biblioteca na garagem de casa é a coisa mais incrível que Sidney já fez em Porto Alegre.

 

Fonte:  Revista DonnaZH em 19 e 20 de março de 2016.