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Testamento de um Poeta por João P. Brasileiro
Testamento de um Poeta por João P. Brasileiro

 TESTAMENTO DE UM POETA

 

Esse texto foi escrito sob lágrimas, para deixar aqui um relato aos que, possivelmente irão ler, pois sei que depois de eu partir, muitos irão revirar minhas gavetas!

 

Quero dizer que uma pessoa, apenas uma pessoa será autorizada a fazer isso, a qual será avisada assim que eu perceber a aproximação da última porteira!

 

Quando nasci, Deus mostrou-me a longa estrada que seria o caminho do meu viver...

Sem entender nada, comecei a caminhar, no início, com a ajuda de meus pais, e depois de alguns anos, passei a encarar sozinho a jornada.

Foi uma longa caminhada, onde passei por decepções, desamores, desaforos e algumas alegrias também!

 

Durante esse trajeto descobri que nada é o que parece ser e ninguém é aquilo que você espera que seja, pelo menos, não em sua totalidade!

 

Quando ainda criança, na época em que ainda se acreditava em quebrantos, conheci a minha primeira paixão...

 

Marlene era uma menina doce, tinha os dentinhos  separados na frente... Sabe aquele sorriso que apalpa a mais dura dor? Pois é, assim era Marlene!

 

E, aquele menino ingênuo, bobinho, cujo sentimento disperso achava que todos eram bons e, que havia amizade entre os que o rodeavam...

 

O tempo passava e as verdades apareciam, mostrando que a única coisa comum na vida das pessoas é a natureza, pois, o resto de tudo que há no mundo, cada um tem a sua parte particular e, o que aquele menino não entendia, era a existência do egoísmo e arrogância, transformando pessoas em “ seres únicos”, separando gostos, preferências e costumes!

 

Marlene ainda era sua paixão difícil de esquecer,  como não havia reciprocidade, o jeito foi suportar!

 

Hoje, já maduro e com o poder de discernir as agruras das multidões, posso afirmar com unhas, dentes e palavrões, que nada se pode fazer contra os traços das mensagens e nem contra as decisões, muitas vezes, arrogantes do destino que nos foi reservado...

 

“Por mais que eu quiser ou fizer

Por mais que eu pensar ou disser

Por maior que seja minha teimosia

Nada me fará viver o ontem como um novo dia!”

 

Nesta madrugada, sem conseguir dormir, resolvi colocar algumas coisas na berlinda e exigi minha presença em uma conversa franca, quando então, discutimos muito, eu comigo mesmo!

 

Durante esse tempo de reflexão e algumas pontas de fúria e decepção, meus olhos beliscaram as paredes inertes do meu quarto, na busca do elo perdido, cuja existência persegue minha imaginação!

 

Esta curta viagem do meu olhar proporcionou-me assistir paisagens insalubres e ébrias, pintadas com as cores erradas, cujos tons nunca conseguiram alegrar, fazer agradável a oportunidade de vê-las, porém, sobre elas pude ver uma coisa importantíssima para que minha alma sossegasse um bocadinho...  

 

Há tempos pendurei nelas as fotos dos meu pais, cujos olhares me seguiam por onde eu fosse, como se me cobrassem a lembrança do amor que sentiam e, com certeza, onde estiverem, ainda sentem por mim!

 

Aquelas duas fotos, em uma mensagem silenciosa, conseguiram acalmar um pouco a minha desesperança, colocando mais fé nas buscas e brigas contra os tantos “NÃOS” que a mim sempre dedicaram!

 

Li nas linhas rabiscadas daqueles olhares, que não sou velho, sou apenas um jovem de há mais tempo e, que ainda sou um menino forte e com sabedoria, tanta, suficiente para jamais desprezar qualquer trave nos campos onde devo mostrar meu jogo, pois, com certeza, mesmo depois de milhares de chutes não aceitos, haverei de encontrar uma que aceite o meu gol!

 

“Não desistir jamais!

Nunca parar, mesmo que as pernas demonstrem cansaço!

Não reter informações que não agradam!

Não se restringir diante das negativas!

Nunca deixar para depois os ágoras!

Nunca esquecer que lá fora há algo ou alguém tentando e sonhando entrar em seu dentro!

Nunca esquecer que quando se quer algo com firmeza e determinação, tudo lhe parecerá desfavorável e difícil, porém, ao alcance destemido de suas vontades e, diante de sua guerra, acabará abrindo as guardas e a rendição será inevitável, e aí, você conseguirá ver e ter as cores dos seus sonhos à disposição e às ordens do que tanto buscas”

 

Hoje, aliás, neste momento, estou aqui com uma vontade louca de escrever os argumentos que meus sonhos enviam à consciência, agora um pouco mais equilibrada, que habita minha existência!

 

Sou um poeta!

Sou um escritor!

Sou um artista das mensagens do amor e da paz!

Sou eu diante de mim mesmo, acenando à possibilidade que sinto haver e que implora minha busca!

Sou aquela alma que não depende um corpo para vencer!

Sou aquele ouvido que, firme e decisivo, despreza e desacata os nãos!

Sou a consciência que desabriga os momentos perdedores, criando tetos e convites para a residência e resistência dos vencedores!

A cada porta fechada, Deus multiplicará as com acesso disponível...

É assim que decidi viver!

É assim que vou vencer!

 

“Quero dizer que uma pessoa, apenas uma pessoa será autorizada a revirar e contemplar as telas que retratam meus ideais, a qual será avisada assim que eu perceber a aproximação da última porteira!”

 

Portanto, peço a você... Leia-me; Releia-me; Revire-me; Contemple-me; Critique-me ou, Aplauda-me!

Se venci ou se perdi, deixo-lhe a certeza... Jamais desisti!

 

João Paulo Brasileiro

Artista Plástico e Designer Gráfico.