Translate this Page




ONLINE
4





Partilhe esta Página

                                            

                            

 

 

 


O Corvo, de Edgar Allan Poe em Nova Edição
O Corvo, de Edgar Allan Poe em Nova Edição

A INVENÇÃO, O HORROR E A POESIA

 

Poema O CORVO, de Edgar Allan Poe, ganha edição com ensaios do autor sobre a sua composição.

 

Livro: O CORVO – De Edgar Allan Poe – Organização de Paulo Henriques Britto – Traduções de Fernando Pessoa e Machado de Assis, 200 páginas.

 

Um livro como a recente nova edição de O CORVO, de Edgar Allan Poe (1809-1849), publicada pela Companhia das letras, é um exemplar cada vez mais raro na atual turbulência do mercado editorial brasileiro. Organizado pelo grande tradutor Paulo Henriques Britto, o volume compila duas das mais importantes traduções da obra para o português, dois ensaios do próprio organizador e três textos seminais que Poe escreveu sobre composição poética. É uma ode em capa dura a um dos artistas mais influetes de seu tempo.

 

O CORVO é um marco da poesia romântica em inglês. Seus 108 versos distribuídos em 18 estrofes narram a história de um homem enlutado pela perda recente da mulher amada que, certa noite, é visitado por um corvo que invade sua casa, posta-se sobre um busto grego acima do umbral e, dali, atormenta o dono da casa respondendo “Nevermore” (“nunca mais”) a qualquer intervenção ou pensamento do homem. Ele verá Lenora no além? Nunca mais. Terá descanso o luto que sofreu? Nunca mais. A ave algum dia irá embora e deixará de escarnecer da dor do personagem? Nunca mais.

 

AUTOR ANALISOU A SUA PRÓPRIA OBRA EM ENSAIO

 

a EDIÇÃO ORGANIZADA POR Paulo Henriques Britto traz duas das mais famosas transposições da obra, feitas por Machado de Assis (1839-1908) em 1883 e por Fernando Pessoa (1888-1935) em 1924.

 

São muitos os motivos que tornaram O CORVO um dos poemas mais populares da literatura em qualquer língua (mapeamento realizado em livro recente por um trio de pesquisadores brasileiros, Helciclever Vitoriano, André Luís Gomes e Sidelmar Kunz, aponta 800 traduções ao redor do mundo). Dois deles são seu ritmo inusitado mas extremamente musical e seu trânsito por temas do horror gótico que Poe também abordaria em sua prosa. E há um motivo externo ao próprio livro, a forma como Poe desvendou (ou mitificou, dizem alguns) os bastidores de sua criação em seus textos críticos.

 

Um deles, incluído nesta edição, é A FILOSOFIA DA COMPOSIÇÃO, no qual Poe oferece uma explicação teórica e estética para cada escolha feita no poema. O ensaio viria a se tornar um dos textos basilares da crítica, especialmente de uma das correntes dominantes no século 20, o New Criticism, dedicado à leitura detalhista de como um texto literário, em especial um poema, foi construído. O volume inclui ainda os ensaios de Poe, A RAZÃO DO VERSO e O PRINCÍPIO POÉTICO. E há também um texto de paulo Henriques Britto para cada parte da obra, um analisando o poema e suas traduções, outro, os ensaios.

 

É um grande lançamento. Pena que, provavelmente por questão de direitos autorais, não estão no livro a tradução feita por Haroldo de Campos e um ensaio do mesmo autor comparado de modo aprofundado as principais traduções da obra em português (um dos melhores textos sobre o assunto já publicados no Brasil).

 

 

Fonte: Zero Hora/Mundo Livro/Carlos André Moreira (carlos.moreira@zerohora.com.br) em 01/03/2019