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A Civilização Egéia
A Civilização Egéia

A ANTIGUIDADE ORIENTAL

 

A CIVILIZAÇÃO EGÉIA.

 

Alguns séculos antes do aparecimento dos gregos, uma civilização brilhante desenvolveu-se nas ilhas do mar Egeu, principalmente em Creta.  Se bem que habitassem o futuro território dos gregos, os egeus descendiam de uma raça mediterrânea cujas características eram muito semelhantes às dos egípcios.  Teria sido a civilização egéia um prolongamento da civilização egípcia?  Se bem que certos elementos culturais idênticos sugiram resposta afirmativa, essa e outras perguntas sobre a civilização egéia não puderam até hoje ser respondidas com precisão.

Comparativamente às outras civilizações, pouco sabemos sobre os egeus, pois, possuíam duas escritas, que foram decifradas completamente.  Contudo, não faltam documentos.  Nas ruínas do palácio de Cnossos, por exemplo, foram encontradas 1500 tabuinhas de argila endurecidas a fogo, coberta de sinais e caracteres.  As tradições gregas, as escavações feitas por Schlieman e Evans, a decifração da escrita cretense feita por Michael Ventris e a interpretação dos objetos achados em Creta, berço da civilização egéia, formaram a base para a reconstituição do passado egeu, que chama logo a atenção pela originalidade e notável senso artístico.

A população distribuía-se, sobretudo, na zona oriental da ilha.  As cidades estavam situadas em lugares propícios à navegação, destacando-se Faístos, Cnossos e Gúrnia.

O egeu provavelmente teve um padrão de vida superior ao da maioria das civilizações antigas.  Em residências particulares comuns foram encontradas inúmeras inscrições que sugerem um alto índice de alfabetização.  A mulher ocupava lugar de destaque na sociedade, aparecendo nos atos públicos.  Como reflexo da elevada posição da mulher, as sacerdotisas desempenhavam funções religiosas importantes e grande número de divindades eram femininas.

Os egeus foram os primeiros a considerar o desporto como elemento de cultura: as corridas, o boxe e as touradas constituíam diversões frequentes e de sentido eminentemente democrático.  Nas ruínas do Palácio de Cnossos, uma pintura reproduz um desses espetáculos populares.  É interessante notar que também havia toureiros-femininos e mulheres-lutadoras.

O xadrez e a dança, como atividades diversionais superiores, exprimiam, sobremodo, a sensibilidade desse povo que descobriu a beleza das coisas comuns e que consequentemente atingiu a um elevado nível artístico.  Existia uma moda feminina onde predominavam as saias em forma de sino com corpetes decotados e mangas entufadas que lembram os modelos europeus do século XIX.  Os homens usavam uma espécie de capa, botas altas e gorro, e suas principais armas eram o punhal e a adaga.

A ARTE EGÉIA.

Nenhum povo da Antiguidade, exceto o grego, superou a arte egéia.  Os minoanos, com o também são chamados os egeus ou cretenses, introduziram na sua arte o espírito da alegria e do bom humor, expressando vivamente a satisfação humana com a beleza da vida exterior.  A arte egéia não teve um sentido doutrinário nem pretendeu glorificar a classe dominante;  foi delicada, espontânea  natural.  Possuía, além disso, um certo dinamismo de composição.  Nas representações de figuras humanas não há nenhuma rigidez; o rosto é tratado com grande interesse de detalhes e o resto do corpo apenas sugerido, sem preocupações anatômicas.

Os tons usados são vivos e o movimento é captado com frequência.  Os artistas minoanos imortalizaram-se ao pintar touros saltando, peixes voadores, juntando as asas para um mergulho e tímidos veados em fuga.

A arquitetura, no entanto, não é proporcional ao desenvolvimento artístico egeu.  Os mais importantes palácios, como o de Cnossos, não obedeciam a planos organizados e definidos.  Os edifícios cresciam à medida que novas necessidades funcionais surgiam e, daí, construções justapostas ligadas por corredores, formando labirintos.  Os interiores, porém, eram delicadamente decorados.

Ao contrário de outros povos antigos, os egeus não pretenderam impressionar pelas proporções de suas composições artísticas, não havendo na arte cretense estátuas gigantescas; predominam as composições de proporções reduzidas, as miniaturas, as joias.

INFLUÊNCIA E IMPORTÂNCIA DA CIVILIZAÇÃO EGÉIA.

Os cretenses foram os introdutores da civilização no Peloponeso, especialmente na Argólida, tendo sua influência atingido Atenas, Tebas e Orcomeno na Grécia Central.

Na Argólida exerceram poderosa influência em Micenas e Tirinto.  O contato dos gregos com os cretenses deu-lhes um poderosos estímulo.  No século XVIII a.C., Micenas havia-se destacado como a mais importante cidade do mar Egeu.

Os filisteus, também originários do mar egeu, introduziram alguns aspectos da cultura egéia na Palestina e na Síria e é possível que, através dos micênios, os minoanos hajam transmitido aos gregos uma herança cultural apreciável.  A religião grega conservou, por exemplo, a divindade do princípio da fecundidade e a prática dos jogos esportivos.  Contudo, grande parte dos elementos culturais cretenses não tiveram continuidade entre os gregos, pois foram interrompidos por conquistadores semibárbaros, incapazes, portanto, de sentirem necessidade da conservação de uma civilização que lhes era infinitamente superior.

É fato que a influência cretense foi limitada, mas nenhum estudioso da história poderá esquecer que a civilização egéia não se baseou numa rígida divisão de classes, havendo dado a cada cidadão uma oportunidade de liberdade e felicidade.  E é interessante notar que a civilização egéia foi das civilizações antigas a mais próxima do espirito moderno, pela inclinação ao conforto e pela ousadia na arte.