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Fome, de Cristiano Burlan
Fome, de Cristiano Burlan

“FOME” REFLETE A MISÉRIA NA ARTE

 

Em cartaz no espaço Itaú 8, o docudrama FOME arriscando um mea culpa sobre a apropriação artística da miséria alheia por quem a registra sem maior comprometimento com seus protagonistas.  Artifício que se mostra uma armadilha.

 

Diretor gaúcho radicado em São Paulo, Cristiano Burlan renova em FOME sua parceria com o crítico e professor Jean-Claude Bernardet, 80 anos recém-completados, que consagrou uma trajetória referencial no estudo do cinema brasileiro, e vem trabalhando como autor para diretores com quem comunga o gosto pela experimentação e provocações estéticas e políticas.

 

FOME mostra Bernardet como um mendigo que vive pelas ruas de São Paulo.  Ele é um dos entrevistados da estudante vivida por Ana Carolina Marinho, que faz um trabalho sobre moradores de rua – entre eles personagens reais que, no registro documental do filme, expõem situações de solidão, abandono e inviabilidade.

 

Um trabalho acadêmico de campo recorrente no cinema e no jornalismo costuma colocar estudantes diante de moradores de rua para ilustrar brutal desigualdade social do Brasil, no aspecto macro, e deles extraírem histórias, no campo individual, de elevada dramaticidade – em geral, potencializadas por imagens em preto e branco.  A jovem aluna questiona com seu professor as implicações éticas desse tipo de trabalho, que é o mesmo, afinal, que Burlan faz com seu filme.

 

A força dos conflitos provocados pelo personagem de Bernardet, porém, arrefecem diante do seu espelhamento no Bernardet real.  A performance do ator em torno de si mesmo parece ser o que mais interessa ao diretor.  Esteticamente funciona, mas a provocação política almejada fica pelo caminho.

 

TRAILER:  https://www.youtube.com/watch?v=Aft9DzZUcP8

 

 

 

Fonte:  Zero Hora/Marcelo Perrone (marcelo.perrone@zerohora.com.br) em 5/8/2016